
Coletivos feministas marcharão neste domingo na Cidade do México para exigir justiça para os casos de feminicídio que causaram grande indignação entre os cidadãos. Por meio das redes sociais, as mulheres convocaram mobilizações em diferentes partes da capital mexicana para tornar visível o grave problema da violência de gênero que o país está enfrentando e que o colocou em uma situação de emergência.
O contingente que liderará a marcha da Verdade e Justiça foi convocado ao meio-dia deste domingo, 24 de abril, na Stela de Luz no Paseo de la Reforma, da mesma forma, outro contingente se reunirá no Monumento à Revolução às 14:00 horas, que irá para as proximidades do Procurador-Geral da República Escritório de Justiça da Cidade do México (FGJ CMDX) mais conhecido como El Bunker.
Vale ressaltar que, horas antes das mobilizações, elementos do Ministério da Segurança Cidadã (SSC) e da Polícia Investigativa (PDI) já estão colocando cercas metálicas ao redor do perímetro da Procuradoria-Geral da Cidade do México (FGJ CDMX) como medida de proteção contra qualquer dano que os manifestantes poderiam causar as instalações.
As manifestações foram convocadas depois que na última quinta-feira, 21 de abril, o corpo de Debanhi Escobar foi localizado dentro de uma cisterna no Motel Nueva Castilla em Nuevo Leon. Desde o dia de seu desaparecimento, o caso da estudante de direito de 18 anos causou grande choque não só no norte do estado, mas em todo o país por causa das inconsistências apresentadas.
Embora o caso de Debanhi Escobar tenha se tornado altamente midiático, é o ponta do iceberg do enorme problema de segurança que as mulheres mexicanas enfrentam em suas vidas diárias, porque somente em 2021, no período de janeiro a novembro 3.462 mulheres foram mortas, das quais 922 foram vítimas de feminicídio. Este número revela o fato alarmante de que pelo menos 10 mulheres são mortas diariamente no país asteca.
Apesar do fato de que em várias ocasiões o grave problema foi tentado tornar visível, a violência e a impunidade no México não cessam e até agora em 2022 houve uma média de pelo menos sete mulheres desaparecidas por dia. Da mesma forma, o Registro Nacional de Pessoas Desaparecidas e Não Localizadas informou que, entre o período de 1º de janeiro a 14 de abril, 748 mulheres desapareceram.
O movimento feminista no México ganhou força nos últimos anos como resultado da onda de violência e impunidade observada nos casos de desaparecimento e homicídio de mulheres. Nesse contexto, em diferentes mobilizações, milhares de mulheres expressaram a raiva, a tristeza e a frustração que viver em um México feminicida gera para elas.
Segundo a Secretaria Executiva do Sistema Nacional de Segurança Pública (SESNSP), os estados com maior número de feminicídios acumulados em 2021 foram o Estado do México (Edomex) com 132, seguido por Jalisco e Veracruz com 66 casos, ambas entidades; Cidade do México ( CDMX) registrou 64 assassinatos de mulheres por razões de gênero e Nuevo León 57.
É pertinente ressaltar que muitos casos de feminicídio começam inicialmente com um desaparecimento, que ocorre sob contextualizar as atividades diárias para as mulheres, desde embarcar no transporte público, ir à papelaria, a uma festa ou à procura de trabalho, independentemente da circunstância, o risco tornou-se constante. Além disso, enfatiza que os desaparecimentos de meninas e mulheres têm componentes muito diferentes dos do gênero masculino, infelizmente por trás de muitos há abuso sexual.
Fartas da situação desencadeou a fúria de milhares de mexicanas que estão cansadas de ver mulheres desaparecerem no país, por isso denunciaram a incapacidade das autoridades de lidar com casos de feminicídio e violência de gênero.
Além de denunciar que as autoridades não são treinadas para lidar com casos com uma perspectiva de gênero, as mulheres enfatizaram a cultura de revitimização que existe no país. Essa prática consiste em culpar a vítima por ter estado no lugar errado ou em uma circunstância vulnerável, situação que deturpa o problema real que permeia a sociedade mexicana.
Hoje o nome de Debanhi Escobar ressoará ao lado do de Ingrid Escamilla, Sofía Morales, Evelin Afiune, Nayeli Alfaro, Frida Alondra, Maria Fernanda Contreras, Victoria Guadalupe, Laura Yanet, Joceline Quintana, Clara Noemí e a de todas aquelas mulheres cujas vidas foram tiradas e para quem hoje manifestantes fale para exigir justiça.
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