
Em 21 de abril, a Colômbia voltará a enfrentar o Tribunal de Haia pelos processos que a Nicarágua moveu pelo suposto descumprimento da decisão emitida pela Corte Internacional de Justiça em 2012 sobre os quilômetros de mar que devem ser transferidos para o país centro-americano.
Deve-se notar que, desde 2013, a Colômbia contratou uma equipe de advogados com quem tem enfrentado o processo internacional. As taxas que o país pagou aos profissionais que lideram este caso chegam a quase nove bilhões de pesos.
O par que lidera a equipe de defesa ganha uma média de 43 milhões de pesos por mês desde 2013, isso seria 8,7 bilhões no total.
O agente e co-agente da Colômbia perante a Corte Internacional de Justiça em Haia são, respectivamente, Carlos Gustavo Arrieta, ex-juiz do Conselho de Estado e ex-procurador-geral da Nação, e Manuel José Cepeda Espinosa, ex-juiz do Tribunal Constitucional, reitor de Direito da Universidad de los Andes, embaixador da Colômbia na UNESCO, assessor presidencial de César Gaviria e Virgilio Barco, e assessor de Juan Manuel Santos nos diálogos com as FARC.
Por um lado, Carlos Gustavo Arrieta recebeu 4.572 milhões de pesos desde 2013, quando o Ministério das Relações Exteriores da Colômbia começou a se preparar para litígios perante o sistema de justiça internacional. Por outro lado, o co-agente de Haia faturou 4.197 milhões de pesos por participar deste caso.
Deve-se notar que, embora a equipe de defesa da Colômbia antes de Haia seja liderada por Arrieta e Cepeda, seis outros advogados especializados em Direito Internacional Público também estão envolvidos.
Os profissionais que enfrentarão a justiça internacional em nome da Colômbia tiveram a colaboração da Marinha da Colômbia e de outras entidades da ordem local e regional, além de vários membros da comunidade Raizal do Arquipélago, que, de uma perspectiva multidisciplinar, tornaram valiosos contribuições para a defesa da nação.
O que pode acontecer com a decisão de Haia na disputa entre Colômbia e Nicarágua?
Deve-se lembrar que essa disputa, embora esteja relacionada ao território marítimo que a Colômbia teve que ceder à Nicarágua em 2012, não é fazer novas distribuições. Pelo contrário, a ação movida pelo presidente do país centro-americano, Daniel Ortega, busca respeitar a decisão assegurando que a Colômbia continue invadindo áreas dos 75.000 quilômetros entregues.
A Colômbia, por sua vez, nega esses incidentes e, como prova disso, sustenta que nunca houve apreensões ou apreensões nesta parte da fronteira marítima. Ele chegou a fazer uma reconvenção em que advertiu: “A Nicarágua violou os direitos de pesca artesanal dos habitantes do arquipélago, em particular da comunidade Raizal, de acessar e operar seus bancos de pesca tradicionais”.
Além disso, na Nicarágua, teria sido emitido um decreto que seria contrário ao direito internacional e procuraria adicionar ainda mais áreas marinhas do que já havia conquistado em tribunal, em detrimento da Colômbia.
Para tomar uma decisão, o Tribunal ouviu os dois lados. Para a Colômbia, a vice-presidente e chanceler, Marta Lucía Ramírez, o governador do departamento de San Andrés e Providencia, Everth Hawkins Sjogreen, a Marinha Nacional e o representante da comunidade raizal, Kent Francis James, falaram diretamente por causa de uma das atividades sobre as quais eles depender economicamente é a pesca ancestral e isso foi afetado pelo que foi decidido pela Corte em 2012. Por sua vez, no país centro-americano, apresentou as evidências que sustentariam sua alegação de não conformidade com a norma e o que foi emitido pelo Tribunal em 2012.
Como El Tiempo mencionou, a decisão terá ampla repercussão no próximo governo, que terá que abordar a questão e decidir a estratégia correta perante este tribunal internacional e contra a Nicarágua. Bem, no caso da Colômbia, a decisão não afeta apenas a questão da soberania, mas também uma receita econômica fundamental para as comunidades do arquipélago de San Andrés.
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