
Já é costume Vladimir Cerrón, líder do partido governante Peru-Libre, emitir declarações ideológicas sobre o que é um governo de esquerda deveria ser parecido com. Essa posição radical lhe rendeu o presidente para se afastar dessa posição e definir seu próprio caminho.
A visão de Cerrón foi revelada novamente em um evento público onde foi apresentada há alguns dias. Lá, o médico e ex-governador regional ressalta que hoje a esquerda tem o governo, mas não tem o poder.
Nos últimos dias, o secretário-geral tem sido mais confrontador. Nesta quinta-feira, por exemplo, ele saudou a iniciativa da deputada Margot Palacios, de discutir a composição da futura Assembleia Constituinte, cujas características poderiam ser plurais, iguais e simultâneas.
Da mesma forma, ele era contra um possível Acordo Nacional: “O Perú Libre não é governado por ninguém, apenas por seus estatutos. A disciplina democrática exige que, se elegerem um presidente, esperem pelo fim do mandato. O Acordo Nacional é a pílula de ouro para o povo digerir inquestionavelmente os desejos da CONFIEP”, disse no Twitter.
IDEOLOGIA DO PERÚ LIVRE
Vladimir Cerrón veio à tona durante as eleições presidenciais de 2021. Lá ele anunciou a ideologia do Perú Libre, partido que recebeu Pedro Castillo.
Ele é um representante da linha dura e a bancada de mais de 30 congressistas eleitos está mais intimamente relacionada com seus cargos.
É impressionante que o programa tenha sido escrito antes do início da pandemia do coronavírus, por isso não inclui nenhuma menção à doença ou medidas para combatê-la. Sim, por outro lado, eles têm a base de uma posição que é definida como marxista e leninista, em sintonia com outros regimes de esquerda na região.
Entre os pontos que chamam a atenção da ideologia está que o documento cita várias vezes líderes como Fidel Castro e o boliviano Álvaro García Linera, mas um dos mais mencionados é o equatoriano Rafael Correa. Além disso, ele não economiza na nomeação de outros líderes, alguns dos quais são considerados ditadores por seus abusos de direitos humanos.
Também mostra sua oposição aberta aos Estados Unidos e ao imperialismo, pede uma nova Constituição Política do Perú, bem como propõe um controle sobre a mídia. A ideologia também propõe a nacionalização de sítios arqueológicos.
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