Por que o colesterol “bom” reduz o risco de doença de Alzheimer

Um estudo da Universidade da Califórnia, nos EUA, analisou partículas de HDL no cérebro e determinou sua influência no possível desenvolvimento da patologia mental. Os detalhes do estudo

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05/08/2019 Foto recurso. Cerebro, enfermedad
05/08/2019 Foto recurso. Cerebro, enfermedad de Alzheimer. SALUD CHRISTINE DANILOFF, MIT

O colesterol é uma substância gordurosa que está presente em todos os tecidos do corpo humano e é necessária para o funcionamento normal do corpo. Serve como matéria-prima para as membranas (paredes) das células e para a síntese (fabricação) de hormônios como estrogênios e andrógenos. Altos níveis de colesterol total significam mais gordura nos tecidos e seu acúmulo nas artérias está associado ao aumento do risco de doenças cardiovasculares.

Um estudo recente da University of Southern California (USC) descobriu que o colesterol “bom” pode desempenhar um papel importante papel na saúde do cérebro, reduzindo o risco de doença de Alzheimer.

Para entender as diferenças, por um lado, existe o chamado colesterol LDL “ruim” (lipoproteínas de baixa densidade), que pode aumentar o risco de bloqueio das artérias, ataque cardíaco e derrame quando os níveis recomendados são excedidos.

Por outro lado, o colesterol HDL “bom” (lipoproteínas de alta densidade), que tem uma função protetora ao transportar o colesterol para o fígado para eliminação.

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Pesquisadores da Keck School of Medicine da University of Southern California recrutaram 180 adultos saudáveis com 60 anos ou mais, com idade média de 77 anos e analisaram seu plasma sanguíneo e líquido cefalorraquidiano. “Pessoas com níveis mais altos de pequenas partículas de HDL no cérebro tiveram melhor desempenho em testes cognitivos e tinham menos placas amilóides”, disse o Dr. Hussein Yassine, diretor do estudo.

Esse efeito ocorreu independentemente da idade, nível educacional, sexo ou se os participantes eram portadores do gene APOE4, que já foi associado a um risco aumentado de doença de Alzheimer. O vínculo foi ainda mais forte naqueles sem comprometimento cognitivo, embora o efeito tenha sido menor quando as pessoas desenvolveram comprometimento cognitivo, disse o cientista a Yassine ao portal de saúde Healthline.

Outro indicador associado ao colesterol “bom” foram os níveis mais altos de um determinado peptídeo, o amilóide beta 42, em seu líquido cefalorraquidiano. Embora essa pequena proteína seja na verdade um sinal de alerta importante para o início da doença de Alzheimer quando ela se dobra incorretamente no cérebro, ter beta-amilóide saudável protege os idosos da doença.

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Os pesquisadores concluíram que a implicação de suas descobertas é que os mecanismos que promovem a formação de pequenas partículas de HDL no cérebro podem desempenhar um papel na prevenção da doença de Alzheimer.

“Agora que temos um bom objetivo para monitorar e seremos capazes de descobrir quais intervenções (dieta, exercícios e medicamentos) aumentam o HDL, na esperança de que isso se traduza em proteger nossos cérebros”, disse o Dr. Yassine.

Este estudo nos diz para ficar de olho na história do metabolismo da gordura no cérebro”, disse o Dr. Paul E. Schulz, neurologista da UTHealth Houston e do Memorial Hermann-Texas Medical Center. O especialista acrescentou: “À medida que descobrimos mais compostos que têm um efeito positivo, seremos capazes de reduzir significativamente o risco de doença de Alzheimer”.

Os pesquisadores colocaram seu novo desafio: “Se pudéssemos aumentar a atividade de 'bons portadores de gordura', como o HDL, e diminuir a atividade do 'ruim' poderia levar a uma melhor saúde do cérebro e proteção contra a doença de Alzheimer”, explicou Schulz.

Descrevendo a doença de Alzheimer como “talvez a pior doença de todos os tempos”, o pesquisador ficou entusiasmado com os resultados: “Isso motiva todos nós que estudamos a doença de Alzheimer a trabalhar duro para desenvolver melhores tratamentos para essa doença desagradável”.

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