
A Ouvidoria realizará audiências públicas para acompanhar as denúncias e acelerar os processos de abuso, maus-tratos e assédio sexual de atletas colombianos. Esses exercícios da entidade serão realizados em vários municípios e departamentos do país.
O anúncio foi feito pelo Provedor de Justiça, Carlos Camargo, que afirmou que “todos temos que unir forças com um propósito comum: que essa investigação seja realizada. Por um lado, a ser realizado pelo órgão competente. Por outro lado, também busca fortalecer políticas públicas que beneficiem o sistema esportivo nacional, bem como os principais beneficiários, como mulheres atletas”.
Esse processo de acompanhamento das vítimas pela entidade é apoiado pela campeã olímpica Katerine Ibargüen, que disse que “esses são os primeiros passos dados para garantir que as meninas sintam apoio, porque muitas vezes não denunciam porque se sentem sozinhas. Então, agora com a Ouvidoria temos que fazer um ótimo trabalho para isso e que realmente tem um precedente”, disse o medalhista em Londres 2012 e Rio 2016.
O principal objetivo da Ouvidoria com a realização dessas mesas é promover a denúncia e acabar com o medo das vítimas. Hoje, essa entidade já participa de uma mesa redonda interinstitucional em conjunto com a Promotoria, a Procuradoria, o Ministério do Esporte, o ICBF, a fim de articular ações para garantir a garantia dos direitos de diversas mulheres, jovens, adolescentes e meninas que relatam ter sido vítimas de violência sexual.
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Por sua vez, a treinadora de atletas colombianos Marcela Suárez apoiou esta iniciativa institucional, “você pode ver todo o apoio das pessoas para ajudá-los, porque eles realmente precisam disso. São meninas que são psicologicamente afetadas, são meninas que querem seguir o esporte, mas o medo de enfrentar e continuar enfrentando todas essas coisas não as deixa”, disse.
De acordo com dados do Ministério do Esporte, de março de 2020 até o momento houve 17 casos de reclamações sobre abuso sexual de mulheres atletas em todo o país. O ministro Guillermo Herrera reconheceu que esta questão é “absolutamente preocupante, faz parte de uma cultura de abuso e desigualdade de gênero em algumas disciplinas. Devemos educar, informar e prevenir”, disse.
Por outro lado, o Ministério Público nomeou um promotor ligado à unidade do Centro de Atenção Integral às Vítimas de Abuso Sexual, que emitiu ordens judiciais para investigar se há mais vítimas e, assim, investigar os eventos relatados. De acordo com dados fornecidos pela Medicina Legal, entre 2020 e 2021 houve 36.385 casos de abuso sexual. Destes, 31.532 eram contra as mulheres, ou seja, 86,6%.
Por outro lado, o Gabinete do Provedor de Justiça assegurou que é necessário acelerar o processo de reforma da Lei 181 de 1995. Isso se traduz no fato de que o governo nacional foi solicitado, através do Ministério do Esporte, para que o esporte fosse considerado uma profissão no país, a fim de garantir melhores oportunidades socioeconômicas para os atletas nacionais.
“É essencial que o país entenda o importante papel que o esporte desempenha na transformação da realidade social”, disse Carlos Camargo, a Ouvidoria. Na opinião do funcionário, esta é uma lei que está em atraso na reforma dado o novo quadro institucional que foi consolidado nos últimos anos.
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