A nova onda de cubanos que chegam aos Estados Unidos está crescendo e eles já a comparam com a dos anos 90

Embora a lei de “Pés secos, pés molhados”, que lhes dava residência imediata, não se aplique mais, pelo menos 47.000 imigrantes chegaram da ilha nos últimos cinco meses

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Foto de archivo de un
Foto de archivo de un grupo de inmigrantes cubanos llegando a las costas de Florida en un bote. EFE/Archivo

Quase diariamente, tentativas desesperadas de cidadãos cubanos são relatadas tentando chegar aos Estados Unidos por terra e por mar. Embora desde a presidência de Barack Obama não exista mais a chamada lei Dry Feet, Wet Feet, que deu aos moradores de Cuba que escaparam do regime opressivo comunista a possibilidade de ter residência imediata nos Estados Unidos desde que chegassem a tocar terras americanas, os cubanos estão fazendo todo o possível para chegar à terra da liberdade.

Entre outubro de 2021 e fevereiro de 2022, em apenas cinco meses, 47.000 cubanos chegaram à fronteira sul dos Estados Unidos em busca de asilo do departamento de Alfândega e Controle de Fronteiras. Desde o início da pandemia, os Estados Unidos impuseram a regra conhecida como Título 42, um regulamento que permite a deportação imediata de quem vem de um país onde circula uma doença contagiosa (algo que acontece em todo o mundo durante uma pandemia). Isso faz com que chegar à fronteira seja uma aposta complicada, mas aparentemente, isso não desmotivou os cubanos.

Para entender o tamanho dessa questão, deve-se notar que em todo o ano fiscal encerrado em 30 de setembro de 2021, 39.303 cubanos chegaram à fronteira dos Estados Unidos com o México, o que já marcou um aumento no número de cidadãos daquele país tentando entrar nos Estados Unidos.

Foto de archivo: Guardia Costera rescata a balseros cubanos a la deriva

Embora legalmente sob o Título 42 os Estados Unidos possam deportar cubanos imediatamente, dadas as condições na ilha (a escalada da violência contra dissidentes e a pobreza extrema como resultado da pandemia), a maioria dos que chegaram foram pelo menos admitidos para iniciar o processo de pedido de asilo.

Mas aqueles que chegaram pela fronteira são acompanhados por aqueles que tentam entrar no mar, em um feito extremamente perigoso. De acordo com a Guarda Costeira, desde outubro do ano passado, 1.067 cubanos foram interceptados no mar, um número consideravelmente maior do que os 838 interceptados no mesmo período de um ano atrás. Não se sabe ao certo exatamente quantos conseguiram chegar sem serem interceptados (e principalmente devolvidos a Cuba) pela guarda costeira. Mas em um nível anedótico, deve-se notar que a imprensa local de Miami relata pelo menos casos semanais de chegadas por mar, especialmente para Florida Keys. Sem ir mais longe, na semana passada 15 cubanos foram confirmados para chegar em um barco precário a Key West, que confirmaram que na odisseia havia outros barcos precários que eles perderam de vista. A guarda costeira os procurou por dias, terminando a busca sem sucesso ontem de manhã.

Un grupo de cubanos a bordo de una embarcación rústica intenta salir por mar hacia Estados Unidos. EFE/Alejandro Ernesto/Archivo

A embaixada dos EUA em Havana está pedindo aos cubanos que não procurem formas ilegais de entrar nos Estados Unidos, pois o risco é muito grande. Embora seja bastante possível calcular quantos cubanos conseguiram chegar aos Estados Unidos ultimamente, o número daqueles que não conseguiram, com complicações ao longo do caminho, é indizível.

A situação está cada vez mais começando a relembrar a crise das vigas, em 1994, quando 35.000 pessoas chegaram em barcos precários aos Estados Unidos.

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