Para os EUA, os cartéis mexicanos podem superar com dinheiro a estratégia de “abraços, não balas”

O ex-procurador dos EUA William Barr disse estar preocupado que as autoridades mexicanas possam em um ponto “compartilhar a soberania com os cartéis e chegar a um modus vivendi com eles”

Guardar
El presidente de México, Andrés
El presidente de México, Andrés Manuel López Obrador (c), acompañado del secretario de la Defensa Nacional, Luis Cresencio Sandoval (i), y del secretario de Marina, José Rafael Ojeda Durán (d), participan en el acto militar con motivo del 111 Aniversario de la Revolución Mexicana hoy, en la Ciudad de México (México). EFE/ José Méndez

Nesta sexta-feira William Barr, ex-procurador-geral dos EUA, disse em entrevista à Fox News que, em sua opinião, o presidente do México, Andrés Manuel López Obrador, já perdeu o controle do país diante de grupos do narcotráfico e estava preocupado que sua capacidade financeira permita-os a qualquer momento. Compartilhe a soberania com as próprias autoridades.

Desde 2020, o governo dos EUA alertou que existem nove organizações criminosas no México com uma estrutura financeira e poder de fogo capazes de colocar o aparato do governo no México em sérios problemas, tornando-se uma ameaça à segurança do próprio vizinho ao norte.

William Barr lembrou esta sexta-feira: “Fui lá algumas vezes (ao México) para ver se conseguíamos apertar a espinha dorsal desse presidente (López Obrado) que acredita em abraços, não em balas, e eles estão perdendo”.

Barr destacou que o poder econômico do crime organizado já ultrapassou o sistema de segurança do Estado mexicano, uma vez que os cartéis “têm dezenas de bilhões de dólares. Eles podem corromper quem quiserem e têm exércitos vestidos como veículos militares e blindados”.

O ex-funcionário expressou preocupação de que as autoridades mexicanas pudessem “compartilhar a soberania com os cartéis e chegar a um modus vivendi com eles”.

Infobae
O município de Agulilla foi assumido por elementos do Cartel de Nova Geração de Jalisco (CJNG) em 5 de abril de 2021. (FOTO: CUARTOSCURO.COM)

Mas Barr não considera apenas que o México está perdendo a guerra para o narcotráfico, em 2021 o general Glen VanHerk, chefe do Comando Norte do país, estimou que entre 30 e 35% do território mexicano sofre com a ausência do Estado mexicano e já está sob o controle do crime organizado. Nesses territórios, os criminosos expandiram suas atividades para sequestro e coleta de apartamentos, forçando a população a sair de suas comunidades e, em muitos casos, tentar emigrar para a nação norte-americana.

O fenômeno das pessoas deslocadas devido à violência do crime organizado se espalhou por todo o país, desde Chiapas, passando por Guerrero, Michoacán e recentemente Zacatecas. Somente em março de 2022 um grupo de pessoas de Jerez, na Serra de Zacatecas, foi ao Palácio Nacional para pedir diretamente apoio ao presidente Andrés Manuel López Obrador para retornar às suas áreas de origem com segurança.

Em 2020, a Drug Enforcement Administration (DEA) identificou os nove cartéis mexicanos mais influentes nos Estados Unidos. No relatório Avaliação Nacional de Ameaças às Drogas 2020, os responsáveis são o Cartel de Sinaloa, o Cartel de Nova Geração de Jalisco, a Organização Beltrán Leyva, o Cartel do Nordeste e Los Zetas, bem como Guerreros Unidos, Cartel do Golfo, Cartel de Juarez e La Línea, La Familia Michoacana e Los Rojos.

Esses grupos criminosos exportam fentanil, heroína, metanfetamina, cocaína e maconha para os Estados Unidos anualmente. Para a DEA, “a China continua sendo uma importante fonte de suprimento para os precursores químicos que os cartéis mexicanos usam para produzir as grandes quantidades de fentanil que contrabandeiam”.

Infobae
Ovidio Guzmán López (Arte fotográfica: Jovani Perez Silva/ Infobae México)

Após a fracassada operação em outubro de 2019 em que as forças federais prenderam e posteriormente libertaram Ovidio Guzmán, o presidente garantiu que foi ele quem tomou a decisão de evitar um banho de sangue em Culiacán, depois que assassinos do cartel de Sinaloa espalharam o caos na cidade para resgatar um dos filhos de Joaquín, o Chapo Guzman. Em relação à libertação do suposto narcotraficante, López Obrador disse: “Se fizermos o bem ou errarmos, a história dirá”.

Após esse evento, o governo dos Estados Unidos ofereceu uma recompensa de 20 milhões de dólares por cada um dos filhos de El Chapo Guzmán, situação que não foi muito apreciada pela do México, onde López Obrador garantiu que nosso país é soberano e só ele é responsável pelo detenção de criminosos em seu território.

O presidente do México disse que os EUA têm o direito de combater os narcotraficantes, mas insistiu: “Somos nós que temos que fazer nosso trabalho de acordo com as investigações (...) Não há impunidade para ninguém.”

CONTINUE LENDO: