
A arte mexicana tem sido um veículo importante para projetar a identidade nacional através da representação da história mexicana, marcada pela miscigenação e turbulência política após a libertação do jugo espanhol. Assim, o país é o berço de grandes artistas reconhecidos mundialmente e que criaram obras de valor incalculável, algumas das quais desapareceram durante sua transferência.
Entre os tesouros perdidos da arte estão obras de pintores que se desenvolveram em um contexto histórico turbulento, bem como artistas contemporâneos que encontraram inspiração no passado. Como:
A mesa dos feridos - Frida Kahlo
Esta pintura foi criada pelo artista mexicano em 1949 e desapareceu em uma exposição na Polônia, seis anos depois. Seu desaparecimento representou a perda de uma importante peça do legado artístico de Kahlo, já que era a maior pintura de seu repertório, com uma dimensão de 1,2 x 1,4 metros.
O autorretrato causou um rebuliço desde que desapareceu, porque ao longo dos anos apareceram pessoas que afirmam tê-lo encontrado. No entanto, até agora nenhuma dessas histórias foi verificada como verdadeira.
A última vez que as notícias sobre essa pintura circularam foi em 2020, quando um suposto empresário mexicano radicado em Londres revelou que a tinha em sua posse. Através de um comerciante espanhol, ele garantiu que estava à venda por 42 milhões de euros.
Segundo o relato do homem, Ignacio Márquez Rodiles, que foi representante da Frente Nacional de Artes Plásticas em 1955, foi responsável por salvaguardar o trabalho a pedido de Diego Rivera. Ele também destacou que Márquez vendeu a pintura a um membro da Loja Maçônica e que de lá passou por vários proprietários até chegar à sua família.
Mas é uma versão que não pôde ser testada e que causou suspeitas porque o vendedor confirmou que não tinha provas que comprovassem sua autenticidade, além de expressar preferência em negociar com potenciais compradores longe dos olhos do público.
Pesadelo da Guerra, Sonho de Paz-Diego Rivera
Este mural, do artista Diego Rivera, foi em Bellas Artes, onde desapareceu na década de 1950. Várias versões de seu desaparecimento circularam, inicialmente os responsáveis pelo complexo relataram que a peça havia sido roubada.
Mais tarde, o autor da obra denunciou formalmente o roubo e aqueles que estavam na administração do palácio mudaram a versão dos eventos, anunciando que a remoção do mural havia sido uma ordem. Algum tempo depois, surgiu o boato de que Rivera o havia vendido na China, mas até agora não se sabe se esse é o seu verdadeiro paradeiro ou se foi destruído.
Vale ressaltar que, enquanto estava em exibição para o público, a obra causou polêmica. Foi retirado dos showrooms franceses e mesmo antes de desaparecer, no México já havia sido retirado das Belas Artes, pois o governo considerava uma provocação aos seus aliados por ser uma representação crítica da situação do mundo imerso na Guerra Fria.
O extravio desta obra, que retrata Emiliano Zapata, é uma das mais recentes da história da arte mexicana. É uma pintura avaliada em meio milhão de pesos e seu autor, o artista contemporâneo Xolotl Polo, doou-a ao Congresso Morelos de onde desapareceu em 2019 durante sua transferência para outro local.
Após o desaparecimento, o autor da pintura exigiu seu retorno. Isso porque ele teria concordado com as autoridades que a peça permaneceria no congresso estadual e que, portanto, não havia autorização para movê-la para outra propriedade.
O retrato mostra Zapata com os braços e as mãos estendidos, seus dedos pingando de terra sangrenta, em uma tela banhada em ouro de 24 quilates.
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