O promotor do Tribunal Penal Internacional garantiu que crimes de guerra foram cometidos na Ucrânia

A agência explicou que “há uma variedade de ações militares” no país e seu escritório tem que “separar aqueles que são legais daqueles que podem não ser legais sob o Estatuto de Roma”.

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International Criminal Court (ICC) Prosecutor
International Criminal Court (ICC) Prosecutor Karim Khan and Ukraine's Prosecutor General Iryna Venediktova visit a site of a mass grave in the town of Bucha, outside Kyiv, Ukraine April 13, 2022. REUTERS/Volodymyr Petrov

O Procurador-Chefe do Tribunal Penal Internacional (TPI), Karim Khan, disse hoje que “há motivos razoáveis para acreditar que foram cometidos crimes” na Ucrânia “que se enquadram na jurisdição do tribunal” com sede em Haia.

A evidência falará por si mesma. Quando o analisarmos, analisarmos e verificarmos, no final os juízes independentes decidirão sobre a força do que encontrarmos”, disse Khan na Ucrânia em uma conferência de imprensa conjunta com a procuradora-geral daquele país, Iryna Venediktova.

Khan mantém sua segunda visita à Ucrânia desde que a Procuradoria do TPI abriu em 2 de março atividades para coletar provas para uma investigação.

O procurador-chefe do tribunal internacional explicou que “há uma variedade de ações militares” no país e seu escritório tem que “separar aqueles que são legais daqueles que podem não ser legais sob o Estatuto de Roma”, disse ele referindo-se à carta de fundação do tribunal.

Ele acrescentou que “todos com uma arma, com um foguete ou com acesso a um avião ou míssil têm responsabilidades a cumprir, como não mirar civis ou infraestrutura civil”.

Khan explicou que planeja manter contato com promotores ucranianos e continuará a “tentar entrar em contato com as autoridades da Federação Russa” porque não tem “outra agenda além da lei”.

Infobae

Questionado se pretende colocar altos comandantes militares russos na bancada do acusado, ele respondeu que “nenhum investigador profissional pode começar com um objetivo, mas com provas”, e que “quando você vir essa evidência, você verá aonde ela leva”.

Quanto a saber se não seria mais conveniente estabelecer um tribunal “ad hoc” para julgar crimes de guerra cometidos na Ucrânia, Khan respondeu que “muitas pessoas tiveram boas ideias” sobre o assunto, mas que o tribunal com sede em Haia “tem jurisdição” e que “123 Estados são partes” do TPI.

Durante sua visita à Ucrânia, Khan visitou a cidade de Bucha, a leste de Kiev, de onde disse que “a Ucrânia é palco de um crime”.

“Estamos aqui porque temos motivos razoáveis para acreditar que estão sendo cometidos crimes que se enquadram na jurisdição do TPI. Temos que passar pela névoa da guerra para chegar à verdade”, disse Khan em um tweet publicado quarta-feira na conta verificada do tribunal.

Por outro lado, a procuradora-geral da Ucrânia explicou que antes da realização de um hipotético julgamento em Haia “primeiro precisamos encontrar provas concretas”, porque o seu país quer “fazer tudo sob o Estado de direito”.

(Com informações da EFE)

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