
Andrés Manuel López Obrador, presidente do México, comemorou nesta segunda-feira, 11 de abril, que conseguiu mobilizar 15 milhões de apoiadores com a consulta do Revogação do mandato, apesar de a participação cidadã não ter atingido 20% e, portanto, não ser vinculativa.
Em sua conferência matinal do Palácio Nacional, o presidente chamou o exercício de domingo de “sucesso completo” e garantiu que foi um evento histórico e inédito para o país. “Pela primeira vez, os cidadãos foram consultados para decidir sobre o governo do presidente.”
Com quase 100% contabilizados, o Instituto Nacional Eleitoral (INE) registrou uma participação cidadã de 17,72% e 16,46 milhões de votos. Destes, pouco mais de 15,1 milhões (91,9%) votaram em López Obrador para permanecer no cargo até 2024, contra 1,06 milhão (6,46%) que votaram a favor da revogação e cerca de 280 mil que votaram inválidos.
Vício de origem
Jorge Triana Tena, deputado federal do Partido de Ação Nacional (PAN), considerou que o único uso que o dia da Revogação do Mandato teve foi medir a verdadeira força eleitoral de López Obrador, uma vez que, de outra forma, implicava um “voto de ricket” e um desperdício desnecessário de milhões de pesos.
“As pessoas que discordam do governo não se manifestaram nas urnas. Foi uma consulta cujo mecanismo de ativação ficou a cargo da estrutura de Morena e não pelas pessoas que querem que ela saia. Já existe um vício de origem desde o início. Também não foi útil porque houve um voto de raquitismo, cerca de 15% ou 17% da lista nominal. Não foi útil porque cerca de 1.500 milhões de pesos foram gastos”, disse o deputado à Infobae México.
O Vice-Coordenador do Grupo Parlamentar do PAN reiterou que o exercício só serviu para medir a força de mobilização dos apoiantes do presidente. “Já sabemos qual é o tamanho. São 14 ou 15 milhões de pessoas, em comparação com 31 milhões em 2018. Isso serviu para despir o tamanho real dessa estrutura. Não há muito o que comemorar e há muito o que se arrepender, porque milhões de pesos foram jogados fora em um exercício que não nos deixou nada”.
O panista garantiu que a intenção inicial da revogação da consulta de mandato, proposta em 2019 pelo presidente, era abrir caminho para a reeleição. No entanto, ele descartou completamente a possibilidade de que os resultados de domingo dariam origem a tal cenário.
“Acho que ele está morrendo de vontade de ganhar da reeleição, mas felizmente a cidadania em 2021 pisou nele, virou as costas para ele e não votou na direção que ele esperava. Ele não votou para lhe dar uma maioria qualificada que lhe permitisse mudar a constituição e poder pavimentar esse caminho para a reeleição. Pelo menos pela via pacífica, será preciso muito trabalho para ele se reeleger. Por meios legais, é impossível porque não tem os votos na Câmara dos Deputados para fazer essas mudanças constitucionais.”
A utilidade de não votar
O exercício da revogação do mandato, como foi realizado pela primeira vez no México, sempre favorece quem está no poder e deixa o cidadão que ativa esse mecanismo completamente indefeso”, disse Triana Tena.
“Temos que procurar outro modelo. Parece-me mais justo para mim flexibilizar a figura do impeachment ou dar outra forma à figura do impeachment, para que cidadãos organizados pudessem pedir que, diante de uma falha grave do presidente, ele pudesse ser julgado no Congresso ou no Senado com algum outro mecanismo”, explicou. .
Embora inicialmente parecesse lógico que a Revogação do Mandato fosse a grande oportunidade para os opositores acabarem com as políticas públicas que tanto criticaram, o MP do Partido Conservador considerou benéfico e útil não participar da consulta de domingo.
“Acho que participar desse exercício, em maior medida, teria rendido mais dividendos ao presidente. A narrativa dele de sair para dizer que pediu a revogação e o povo respondeu imediatamente, votando de uma forma ou de outra, acho que teria sido completamente prejudicial para ele. O melhor era não participar para medir com precisão o tamanho da base eleitoral e despir o verdadeiro tamanho dessa estrutura”, concluiu.
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