Presidente do CIR pede a limitação do sofrimento dos civis na Ucrânia

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Isabel Saco Genebra, 17 de março O presidente do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV), Peter Maurer, disse hoje que “a situação em Mariupol não deve se tornar o futuro da Ucrânia”, onde ele está sendo mantido para avaliar as necessidades humanitárias mais urgentes nos centros urbanos que se tornaram os campos de batalha da guerra que começou com a invasão da Rússia. Na cidade costeira de Mariupol, no sudeste da Ucrânia, o sofrimento dos civis tem sido particularmente intenso devido aos constantes bombardeios e cercos das forças russas, que não permitem a entrada segura de alimentos, água potável ou remédios para as centenas de milhares de pessoas que lá encontram. Maurer disse que a devastação que testemunhou a caminho de Kiev é generalizada e lembrou às partes no conflito que “mesmo sem a cessação das hostilidades, as coisas podem ser feitas para limitar o sofrimento dos civis”. IMPACTO DESIGUAL NO PAÍS Sua observação inicial destaca o fato de que o impacto humanitário do conflito é “muito desigual” dependendo de qual região da Ucrânia está sendo discutida e que as crises estão concentradas nos centros urbanos sob ataque e que estão localizados nas linhas de batalha ou perto delas. “Há partes do país onde a infraestrutura funciona, inclusive em Kiev, então a realidade não é a mesma em todos os lugares”, disse Maurer em uma coletiva de imprensa virtual de Kiev, onde se encontrou com vários ministros de estado. O chefe do CICV listou as prioridades humanitárias nesta guerra, começando com a evacuação de civis de Mariupol e outras áreas afetadas pela violência, e as garantias de que eles serão protegidos de qualquer ataque, bem como da infraestrutura civil (hospitais, escolas, eletricidade e água). instalações, entre outros) outros). PRISIONEIROS DE GUERRA Ele também disse que a Ucrânia e a Rússia são obrigadas a tratar os prisioneiros de guerra com dignidade e não expô-los à curiosidade pública ou escárnio via mídia social. Maurer confirmou que as discussões continuam com os dois países para que o CICV possa visitar as tropas mantidas pelo lado inimigo e disse que “vimos progressos” nesse sentido. Sobre possíveis trocas de prisioneiros, ele argumentou que isso não faz parte do mandato da organização, mas que se as partes concordarem em solicitar sua intervenção, ele poderia atuar como um “facilitador”. Questionado sobre o possível envolvimento no transporte de corpos, o funcionário do CICV disse que cabe às partes identificar e registrar as vítimas “de maneira humana”, o que significa tratar os restos mortais com respeito e entregá-los às famílias. “Podemos ajudar nesse processo, mas os dois lados precisam chegar a um acordo sobre as modalidades”, insistiu. CORREDORES HUMANITÁRIOS No que diz respeito aos corredores humanitários que permitem que civis deixem áreas específicas e o influxo de ajuda humanitária, Maurer ressaltou que as forças que exercem controle sobre estradas, territórios e populações têm o dever de respeitar o Direito Internacional Humanitário, inclusive permitindo que essas rotas seguras funcionem. Novamente, ele disse que era responsabilidade da Ucrânia e da Rússia, e que o CICV só poderia “facilitar” as negociações a esse respeito. Por outro lado, ele confirmou que a equipe do CICV em Mariupol, composta por 30 a 40 pessoas, deixou a cidade na quarta-feira com suas famílias e vários milhares de pessoas que foram autorizadas a sair por tropas russas por conta própria (e não como parte de uma operação de evacuação organizada). Outra equipe da organização está se preparando para assumir assim que as garantias necessárias forem recebidas. CHEFE é/mj (vídeo)