
O tráfico de mulheres no México teve um aumento alarmante nos últimos quatro anos. A Secretaria Executiva do Sistema Nacional de Segurança Pública (SESNSP) informou que o número lamentável disparou 40% desde 2018, quando 360 vítimas foram relatadas para 503 registradas em 2021.
Várias organizações apoiam os dados e até alertam que esse número representa ainda menos de 20% dos casos que realmente existem. E o fato é que o registro oficial mostra que, de 360 pessoas vítimas de tráfico em 2018, em 2019, passou a ser 402. Então, 402 foram relatados em 2019. Foram 455 em 2020 e 503 no ano passado. Enquanto nos primeiros dois meses de 2022, mais 93 foram contados.
As áreas onde a maioria dos casos de tráfico são geralmente encontrados são: Tijuana, Estado do México, Cidade do México, Puebla, Hidalgo, Veracruz. Vítimas mexicanas também foram localizadas no exterior em lugares como Nova York. Essas mulheres, que às vezes são apenas meninas, variam de 12 a 35 anos. Eles são principalmente nativos de Oaxaca, Tlaxcala, Guerrero, San Luis Potosi e Chiapas.
“Os dados que a secretaria nos permite ver são, se alguma coisa, 20% dos casos que estão sendo registrados no país. Ou seja, o crime de tráfico de pessoas tem um número negro acima de 80%”, disse Teresa Ulloa Ziáurriz, diretora da Coalizão Regional Contra o Tráfico de Mulheres e Meninas na América Latina e no Caribe, ao El Universal, “a maioria dos casos de mulheres vítimas de tráfico humano tem a ver com necessidade econômica, com um meio de sobrevivência, com a vulnerabilidade em que as mulheres estão, com a qual elas são muito fáceis de se envolver”.
Enquanto isso, Alicia Mesa Bribiesca, diretora executiva do Centro de Estudos Sociais e Culturais Antonio de Montesinos, alertou que, para cada caso de vítimas de tráfico, há outros 99 dos quais não há registro. “É invisível. O México ocupa o terceiro lugar no mundo em termos de número de vítimas. É precedido pela Tailândia e Camboja”, disse ele para a mídia, alertando que há uma década os cartéis de drogas estão envolvidos neste negócio ilícito, embora também existam grupos mafiosos japoneses, russos e americanos.
“O crime organizado já está envolvido nesse crime. Além disso, a Yakuza, os russos, os americanos que têm redes internacionais de tráfico e tráfico humano. É por isso que poucas mulheres se atrevem a denunciar, porque são pessoas muito violentas, agressivas, que têm maior impunidade”, disse.
Por outro lado, em 12 de abril, a Organização das Nações Unidas (ONU) apresentou o relatório resultante da visita ao México em 2021 pelo Comitê contra Desaparecimentos Forçados.
Uma das principais observações do Comitê foi que os desaparecimentos continuam afetando principalmente homens entre 15 e 40 anos.
“No entanto, os números oficiais mostram um aumento notável nos desaparecimentos de meninos e meninas a partir dos 12 anos, bem como de adolescentes e mulheres, uma tendência que piorou no contexto da pandemia do coronavírus”, disse o Comitê.
Tais desaparecimentos teriam como objetivo ocultar a violência sexual, o feminicídio, o tráfico e a exploração sexual, disse Carmen Rosa Villa Quintana, membro do Comitê.
Ao mesmo tempo, o painel observou que os servidores públicos e o crime organizado são responsáveis pelo crescente número de desaparecimentos forçados no México, de acordo com suas conclusões.
Deve-se notar que a visita do Comitê resultou da situação crítica no país: o Registro Nacional de Pessoas Desaparecidas e Não Localizadas, administrado pela Comissão Nacional de Busca do Ministério do Interior, é o único registro em funcionamento, conforme previsto pela Lei Geral sobre Desaparecimento forçado de pessoas, desaparecimento cometido por indivíduos.
De acordo com dados oficiais disponíveis em 26 de novembro de 2021 (o último dia em que o Comitê esteve no país conduzindo investigações), 95.121 pessoas desaparecidas foram registradas, das quais 112 desapareceram durante a visita do Comitê. Em 12 de abril, o registro contava 98.883 pessoas desaparecidas e não localizadas.
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