EUA impõem sanções ao cartel guatemalteco Los Huistas

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CIDADE DA GUATEMALA (AP) — Os Departamentos de Estado, Justiça e Tesouro dos EUA sancionaram nesta sexta-feira membros do cartel Los Huistas, uma organização criminosa transnacional dedicada ao narcotráfico na Guatemala, ligada a cartéis mexicanos e conexões com políticos guatemaltecos.

O Departamento do Tesouro, por meio do Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC), anunciou sanções financeiras a todos os membros e líderes de Los Huistas designados como organização do narcotráfico, já que suas ações “ameaçam o povo e a segurança dos Estados Unidos e da Guatemala”, disse em um boletim informativo da imprensa.

De acordo com a entidade, Los Huistas têm conexões com o Cartel de Sinaloa e o Cartel de Nova Geração de Jalisco que operam no México.

“Grupos criminosos como Los Huistas contribuem para a instabilidade na Guatemala e na região”, disse o subsecretário do Tesouro para Terrorismo e Inteligência Financeira Brian E. Nelson.

“A organização do narcotráfico Los Huistas contrabandeia narcóticos mortais, incluindo cocaína, metanfetamina e heroína, da Guatemala ao México para distribuição em várias cidades dos Estados Unidos. O Tesouro e nossos parceiros governamentais nos Estados Unidos e na Guatemala continuarão a usar todos os recursos disponíveis para desmantelar essas redes criminosas”, acrescentou Nelson.

As sanções envolvem o congelamento da propriedade ou propriedade nos Estados Unidos das pessoas designadas e a proibição de todos os tipos de transações com elas por americanos ou dentro dos Estados Unidos.

O Departamento de Justiça também revelou duas acusações em processos separados contra Aler Baldomero Samayoa-Recinos, vulgo “Chicharra” e um dos líderes de Los Huistas, e seu genro Freddy Arnoldo Salazar Flores, atual vice-deputado no Parlamento Centro-Americano por conspiração para distribuir cinco quilos de cocaína para envio para os Estados Unidos.

Em 2018, a Comissão Internacional Contra a Impunidade na Guatemala — órgão das Nações Unidas que desmantelou grupos do crime organizado e da corrupção na Guatemala por 12 anos — anunciou pela primeira vez investigações contra Los Huistas, que acusou de atividade de drogas e identificou Samayoa Recinos como líder.

A investigação também incluiu Henry Hernandez Herrera, irmão da ex-vice-presidente do Congresso guatemalteco Sofía Hernandez, como um dos membros da organização. Hernandez foi condenado por impedir um processo criminal por supostamente apresentar documentação falsa para libertar um homem que havia sido preso com dinheiro supostamente de Los Huistas. Ele recuperou a liberdade, mas foi morto em janeiro passado.

De acordo com as alegações, Samayoa-Recinos e Salazar Flores começaram a traficar drogas para os Estados Unidos em 2006.

O Departamento de Estado também ofereceu uma recompensa de até $10 milhões por informações que levaram à prisão do guatemalteco Eugenio Darío Molina-López, que considera líder do Los Huistas.

Os Huistas operam principalmente na região de Huehuetenango, no noroeste da Guatemala, na fronteira com o México.

“Este é outro exemplo da abordagem coordenada do governo dos Estados Unidos para combater o crime organizado transnacional na América Central”, disse o Departamento de Estado em seu comunicado.