A ONU alertou para o “perigo real” do tráfico de mulheres e crianças ucranianas

“Existem gangues criminosas que exploraram ucranianos no passado e é muito provável que eles sejam ativados e explorados novamente agora”, alertou Ilias Chatzis, chefe da luta contra o tráfico de pessoas no Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime

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Una mujer reacciona mientras abraza
Una mujer reacciona mientras abraza a otra en el exterior de un bloque de apartamentos fuertemente dañado, tras un ataque de artillería, en medio del ataque de Rusia a Ucrania, en Járkov, Ucrania. 13 de abril de 2022. REUTERS/Alkis Konstantinidis

As Nações Unidas alertaram para o “perigo real” do tráfico de pessoas que atualmente sofrem de milhares de mulheres ucranianas e crianças órfãs que estão fugindo da invasão russa e que são “o principal alvo” das máfias.

Existem quadrilhas criminosas que exploraram ucranianos no passado e é muito provável que eles sejam ativados e explorados novamente agora”, alerta Ilias Chatzis, chefe da luta contra o tráfico de pessoas do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC), em entrevista à EFE em Viena.

O tráfico consiste no recrutamento de pessoas para explorá-las para fins sexuais, trabalho forçado ou para forçá-las a implorar, entre outros crimes.

Para Chatzis, esse perigo é particularmente preocupante para as crianças órfãs na Ucrânia, que em sua opinião são “o principal alvo dos traficantes”.

A Ucrânia tem uma população órfã muito grande, então há uma grande preocupação com o bem-estar desses menores”, salienta o especialista grego da ONU.

O QUE VEM DEPOIS DAS FRONTEIRAS

Segundo as Nações Unidas, um terço das vítimas identificadas em casos de tráfico são geralmente menores, “um grande número” que mostra sua vulnerabilidade em uma situação de conflito, como a atual guerra na Ucrânia.

O UNODC estima que “milhares de crianças viajam sem a companhia de seus pais ou responsáveis”, o que também as coloca em “um risco maior de tráfico e outros abusos”, diz Chatzis.

Infobae

O risco para os menores não é tanto a passagem das fronteiras em si, porque a União Europeia e outros países (vizinhos da Ucrânia), como a Moldávia, adaptaram suas políticas às necessidades do momento. O problema é o que acontece a seguir”, alerta.

De acordo com Chatzis, as máfias internacionais do tráfico precisam de tempo “para recrutar pessoas, forçá-las à prostituição ou a qualquer outra forma de exploração”, pelo que o problema começará a piorar nas próximas semanas e meses.

REGISTRO DE VOLUNTÁRIO

Ao mesmo tempo, o especialista da ONU insta os Estados a terem maior controle sobre os voluntários que se voluntariam nas fronteiras e nos centros de acolhimento para ajudar os refugiados.

“(Os refugiados) vêm de seus países com uma bolsa na mão e duas crianças na outra, para países onde não falam a língua e, embora não precisem ficar sob o radar porque têm documentos, há enormes desafios para protegê-los de serem explorados”, diz Chatzis.

Diante desse risco, ele recomenda registrar voluntários junto às autoridades para garantir que as redes criminosas não usem o voluntariado para atingir seus objetivos.

“Há muita informação e presença policial, mas o problema ainda está lá porque o número de refugiados é muito grande”, diz.

Mais de 5 milhões de ucranianos fugiram do país invadido desde o início do conflito em 24 de fevereiro, além de outros 7 milhões de deslocados internos, de acordo com dados da ONU.

Esse fluxo de migração, de acordo com Chatzis, exige que os países estejam “muito conscientes de como e onde essas pessoas estão (em todos os momentos) para controlá-las”.

Deve haver um registro, as autoridades devem ter contato direto umas com as outras para trocar informações e entender que tipo de tráfego pode se tornar relevante para as redes criminosas”, diz o especialista grego.

Nesse sentido, ele lembra que tradicionalmente os homens ucranianos se dedicam à colheita e outras tarefas agrícolas na Europa, mas agora que são recrutados para a guerra em seu país, as mulheres provavelmente ocuparão seus postos.

Por esta razão, adverte Chatzis, será necessário ver no futuro se as mulheres ucranianas serão exploradas em campos agrícolas, na prostituição ou nos lares domésticos das famílias que as acolhem.

(Por Marina Sera - EFE)

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