
As Crianças do Deserto aparecem como uma das grandes potências asiáticas e certamente a seleção árabe mais destacada. Com três títulos continentais em seu currículo, ele é um gigante adormecido: ele não alcançou sucesso desde a Copa da Ásia de 1996. A Arábia Saudita tem uma seleção relativamente moderna, tendo disputado sua primeira Copa do Mundo em 1994, a única vez que passou na primeira rodada. Quatro treinadores argentinos puderam experimentar com os sauditas: Jorge Solari, Gabriel Calderón, Edgardo Bauza e Juan Antonio Pizzi.
O sorteio da Copa do Mundo determinou que os sauditas pararão no Grupo C, junto com Argentina, México e Polônia. Serão precisamente os primeiros adversários do elenco de Lionel Scaloni: a partida será na terça-feira, 22 de novembro, no Estádio Lusail.
A HISTÓRIA DOS GREEN HAWKS
Apesar de ter registrado sua primeira partida internacional em 1957 (vitória por 3-1 sobre a Síria), a seleção da Arábia Saudita se estabeleceu no mundo do futebol em 1984, quando jogou sua primeira Copa da Ásia com um desempenho extraordinário: liderou sua zona na primeira rodada, eliminou o Irã nos pênaltis para o semifinais e derrotou a China por 2-0 na final, em Cingapura. E a glória se repetiria na próxima competição continental, quando era novamente o líder em sua área, eliminou o Irã em tempo regulamentar para as semifinais e consagrado nos pênaltis contra a Coreia do Sul, em Doha (1988).
Ele esteve perto do tricampeonato no Japão em 1992, ano em que jogou a Copa Rey Fahd (Copa das Confederações em que caiu na final contra a Argentina de Alfio Basile), mas acabou perdendo para o dono da casa. A revanche seria próxima: em 96 ele subiu ao topo do pódio depois de vencer o anfitrião Emirados Árabes Unidos na disputa de pênaltis. Esse prêmio o levou a estar no primeiro ranking histórico ao lado do Irã, até que os japoneses entraram em cena com os títulos de 2000, 2004 e 2011, que foi adicionado ao de 92.
JORGE SOLARI, O PRIMEIRO DT ARGENTINO EM TERRITÓRIO SAUDITA

Antes da Copa do Mundo nos Estados Unidos 94, o embaixador da Arábia Saudita visitou o então presidente Carlos Saúl Menem na Casa Rosada e lhe disse que a seleção precisava de um treinador. O homem de La Rioja disse a ele que ele conseguiria o melhor da Argentina. Carlos Bilardo, que veio do título de México 86 e vice-campeão na Itália 90, rejeitou a proposta. E um amigo do índio que fazia parte da custódia de Menem recomendou. Este foi o pouso de Solari em solo árabe.
A estreia dos Filhos do Deserto nas copas do mundo foi bem-sucedida: tropecei contra a Holanda (1-2) e triunfo contra Marrocos (2-1) e Bélgica (1-0) para chegar aos oitavos-de-final como segundo na zona. Na fase eliminatória, eles correram para a Suécia, que havia deixado seu grupo ileso com o Brasil: os escandinavos venceram por 3-1 (depois venceram a Romênia que eliminou a Argentina nas quartas de final, perderiam na semifinal para os brasileiros e venceram a Bulgária por 4-0 na partida pelo terceiro e quarto lugar).
Apesar do bom desempenho, o estrategista argentino foi demitido. Ele contou o episódio em uma entrevista com Infobae: “Eu saí porque o rei queria que eu jogasse com um atacante que não estava em posição de jogar. Ele não tinha velocidade e tinha 40 anos. Eles queriam impor um jogador e nós os ignoramos. Usamos o que achamos que estava em forma e morremos com o nosso. Eles nunca mais me ligaram, mesmo que não tenham repetido uma campanha como a nossa.”
UM FATO INCOMUM: ELES EXPULSARAM UM TREINADOR NO MEIO DA COPA DO MUNDO

De 94 a 98, cinco treinadores caminharam pelo banco (o saudita Mohammed Al-Kharashy, o brasileiro Zé Mario, o português Nelo Vingada, o austríaco Hansel Waldem e o alemão Otto Pfiser) antes da nomeação de Carlos Alberto Parreira, que protagonizaria um dos episódios mais escandalosos da história da Copa do Mundo. O carioca liderou a equipe nos dois primeiros jogos da Copa do Mundo da França, mas foi dispensado após as duas derrotas terem sido concluídas (1-0 contra a Dinamarca e 4-0 contra a França, campeão final).
A família real da Arábia Saudita se reuniu seis horas em um hotel em Bordeaux com o técnico brasileiro e o informou da decisão inabalável de cancelar seu contrato. Eles até participaram do comício com o nome de seu substituto: Mohammed Al-Kharashy, que iniciou o processo após a partida de Solari. Os Verdes estavam perto de vencer a África do Sul no terceiro jogo do Grupo C, mas no tempo de paralisação os africanos marcaram a final por 2-2.
A PASSARELA DE TÉCNICOS ARGENTINOS E NOTÍCIAS
Além da frustração de 98 foram os da Coreia-Japão 2002 e da Alemanha 2006. Na primeira Copa do Mundo disputada em solo asiático ele foi batido por 8-0 pela Alemanha em sua estreia, enquanto mais tarde caiu para Camarões e Irlanda. Em solo europeu, começou com um empate contra a Tunísia, mas pereceu contra a Ucrânia (0-4) e a Espanha (0-1). O argentino Gabriel Calderón foi quem se dirigiu para a Copa do Mundo nas eliminatórias, embora antes do início ele tenha sido demitido para dar o treinador mergulhador ao brasileiro Marcos Paquetá.
A caminho da África do Sul, em 2010, ficou em terceiro lugar em sua área, atrás da Coreia do Sul e da Coreia do Norte (teve pior diferença de gols que a última) e depois de dois jogos no playoff continental contra o Bahrein, ficou ferido pela diferença de gols fora de casa no tempo de paralisação (se triunfasse, teria vencido o playoff final contra a Austrália). A fase de qualificação para o Brasil 2014 foi a pior já registrada: apenas uma vitória contra a Tailândia a ser eliminada antes da rodada final.
O holandês Bert van Marwijk liderou a equipe para a qualificação para a Rússia 2018, mas quando o objetivo foi alcançado, ele foi escalado para dar lugar a Edgardo Bauza, que acabara de ser substituído por Jorge Sampaoli da equipe argentina. El Patón durou apenas três partidas: eles o demitiram porque “ele não gostou da maneira como treinou”. O croata Krunoslav Jurčić tomou as rédeas como interino, mas a Copa do Mundo foi Juan Antonio Pizzi, que permaneceu no cargo apesar da eliminação prematura (vitória por 5-0 contra o anfitrião, queda por 1-0 para o Uruguai e vitória por 2-1 para o Egito).

O francês Hervé Renard, sem grandes pergaminhos como jogador de futebol mas com experiências em vários clubes além de quatro seleções (Zâmbia, Angola, Costa do Marfim e Marrocos), assumiu a seleção saudita em 2019 e selou a passagem para o Qatar 2022. Os árabes acabaram invictos na primeira fase acima da linha do Uzbequistão, Palestina, Cingapura e Iêmen. O bom desempenho foi mantido na próxima rodada, na qual ele novamente liderou o Grupo B, deixando o Japão em segundo lugar para a última vitória contra a Austrália, que ficou em terceiro.
A peculiaridade das Crianças do Deserto é que todos os seus componentes jogam no futebol nacional. Entre suas figuras estão Salem Al-Dawsari, o artilheiro da fase de qualificação com Saleh Al-Shehri com 7 gols (ambos jogando no Al-Hilal), Fahad Al Muwallad (Al-Ittihad) e o promissor Firas Al-Buraikan, de 21 anos, que joga em Al-Fateh.
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