O octogenário ex-presidente peruano Alberto Fujimori ficará no Perú assim que for libertado da prisão, disse sua filha Keiko Fujimori na sexta-feira, que descartou que seu pai deveria partir para o Japão, o país de seus ancestrais.
“Ele vai ficar no Perú e vamos passar todos os testes aqui com os médicos peruanos, [porque] sua saúde é frágil”, disse à imprensa o mais velho dos quatro filhos do ex-presidente (1990-2000), após visitá-lo na prisão.
A eventual viagem de Fujimori ao Japão foi evocada pela imprensa de Lima depois que o Tribunal Constitucional (TC) na quinta-feira sediou um habeas corpus e ordenou sua libertação, restabelecendo um perdão humanitário concedido em dezembro de 2017 e anulado 10 meses depois.
Fujimori tem nacionalidade japonesa. Em 2000, em meio a uma crise política, fugiu para Tóquio e enviou por fax a presidência de lá. Ele então se estabeleceu, casou-se com uma empresária japonesa e passou a concorrer ao Senado japonês sem sucesso.
“Ainda não sabemos os tempos de sua liberdade, espero que seja hoje [sexta-feira], mas pode ser segunda ou terça-feira”, acrescentou Keiko Fujimori.
Para que o TC seja liberado, ele tem que notificar o serviço prisional, um procedimento que leva alguns dias.
A líder da oposição foi para a cadeia na sexta-feira para levar roupas, alimentos e remédios para o pai de 83 anos, que cumpre uma pena de 25 anos desde 2007.
“Meu pai é um homem velho e doente, ele tem fibrilação atrial e fibrose pulmonar”, disse sua filha na quinta-feira ao relembrar os problemas de saúde do patriarca do clã Fujimori.
“Humanitariamente, Alberto Fujimori não merece morrer na prisão”, disse seu GP e parlamentar fujimorista Alejandro Aguinaga.
Depois de ser extraditado do Chile em 2007, Fujimori foi condenado pelos massacres de Barrios Altos (15 mortos, incluindo uma criança) e La Cantuta (10 mortos), perpetrados por esquadrões militares durante sua administração no contexto da guerra contra o terror.
O TC tomou a decisão hospedando um habeas corpus apresentado pelo advogado Gregorio Parco em 2020, que provocou manifestações nas ruas de Lima a favor e contra a medida.
Perdoado na véspera de Natal de 2017 pelo então presidente Pedro Pablo Kuczynski por motivos humanitários, em outubro de 2018 a justiça peruana anulou a decisão e voltou à prisão em janeiro de 2019.
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