O Tesouro de Quimbaya, que faz parte do patrimônio nacional e que não pôde ser resgatado das mãos espanholas

Em 2017, o Tribunal Constitucional emitiu sentença SU649 de 2017, ordenando que o poder executivo colombiano realize os procedimentos para o repatriamento das peças; no entanto, o Ministério das Relações Exteriores não realizou a gestão ordenada

Para entender a importância do Tesouro Quimbaya e o motivo da necessidade de mantê-lo no país, é preciso dizer que esta coleção é composta por 122 peças, sendo uma das mais importantes da era pré-colombiana, mostrando a riqueza intelectual e material dessa tribo.

Narigueras, colares, brincos, coroas, vasos, instrumentos musicais e poporos compõem este compêndio de peças de ouro que distinguiram as cobaias do resto das comunidades indígenas que existiam antes da época de La Conquista. Foi encontrado depois disso 1878, ano em que o município Quindian da Finlândia foi fundado, com o objetivo de buscar terras férteis para o trabalho agrícola.

Doze anos depois, em 1890, um grupo de guaqueros descobriu várias peças em um trecho da estrada que ligava a jovem Filândia à cidade de Quimbaya, todas enterradas no que pareciam ser dois túmulos indígenas. Foi um achado fundamental para a história da Colômbia, pois fortaleceu sua riqueza cultural em relação às primeiras comunidades que habitaram as terras que, após a chegada de Colombo, ficaram conhecidas como o Novo Mundo.

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Mas o que aconteceu depois foi mais uma perda do que uma oferta, tudo patrocinado pelo então presidente, Carlos Holguín (1888-1892). Em seu último ano de mandato, esta coleção, chamada Tesoro Quimbaya, foi dirigida à rainha Maria Cristina de Habsburgo para ser exibida como parte do 400º aniversário do Descobrimento da América, realizado em Madri. Posteriormente, e por iniciativa do presidente, todas as peças foram apresentadas à rainha por causa do papel mediador da Espanha nas relações entre a Colômbia e a Venezuela e o conflito fronteiriço do qual este país foi mal poupado.

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O processo que não deu em nada para recuperar o Tesouro de Quimbaya

130 anos se passaram desde que o tesouro não retornou à sua terra natal, onde foi fabricado e enterrado por seus criadores. No entanto, em outubro de 2017, o Tribunal Constitucional levou em consideração a tutela apresentada por Antonio José Rengifo (professor da Universidade Nacional) e Felipe Rincón Salgado, onde alegaram que a entrega dessa coleção pelo presidente Holguín era ilegal, e se o tribunal superior concordar com eles e eles consideram seus argumentos, o Estado colombiano terá que reivindicar cada uma das peças que compõem esse tesouro.

De fato, a Corte decidiu a favor dessa ação popular através do acórdão 649 de 2017, ordenando que o executivo nacional tome as medidas necessárias para repatriar, através do Ministério das Relações Exteriores, o tesouro que é considerado um dos bens mais importantes encontrados na Colômbia. Mas, apesar do pedido, o governo cessante não fez essas tarefas e a entrada menos.

De fato, em 2020, a Academia de História de Quindio apresentou um pedido formal ao presidente Iván Duque para agilizar os procedimentos de repatriação, em conformidade com as disposições da sentença. Segundo vários acadêmicos e antropólogos, com a ausência desse material no país, importantes pesquisas sobre o entendimento arqueológico da tribo Quimbaya se perdem, além do simbolismo que ela representa para a Nação.

Em resposta a este pedido, o Governo de Espanha afirmou, pela primeira vez desde a decisão do Tribunal, que não devolverá o tesouro, argumentando que é, agora, um bem nacional de interesse cultural que impede uma “alienação ou exportação”. Além disso, indicaram que as peças pertencem às coleções do Museo de América, em Madri, onde a coleção está agora desde que foi entregue pelo presidente Holguín Mallarino.

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