Os restos encontrados em uma escavação no Uruguai não são ossos humanos, mas animais.

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Montevidéu, 17 Mar A escavação iniciada por um grupo de antropólogos forenses em um antigo prédio da Presidência uruguaia terminou sem sucesso na busca por restos humanos, já que os ossos encontrados pertenciam a animais. Isso foi confirmado à imprensa na quinta-feira pela diretora da Instituição Nacional de Direitos Humanos e Ouvidoria do Uruguai (Inddhh), Mariana Mota, que destacou que todos os outros dados fornecidos pela testemunha que deu a pista foram verificados. “A escavação que eu estava procurando era ir em busca do que a pessoa que havia relatado disse e eles eram de fato restos esqueléticos, só que eles não eram humanos. Essas circunstâncias acontecem; em outros lugares já aconteceu conosco também”, disse. O ex-juiz uruguaio, encarregado de investigar inúmeros casos de crimes cometidos durante a ditadura civil-militar (1973-1984), destacou que o Inddhh, responsável pela busca dos detidos desaparecidos naquele período, continuará com os trabalhos já iniciados em outro lugar. “Estamos sempre trabalhando em vários espaços simultaneamente. Continuamos trabalhando em Toledo (sudeste) em outra área que temos cautela, também no que era o Batalhão 13 e no Serviço de Material e Armas (do Comando Geral do Exército)”, disse. Por sua vez, Alicia Lusiardo, coordenadora do Grupo de Pesquisa em Antropologia Forense (GIAF) que trabalha com o Inddhh, explicou que os ossos encontrados sob o piso de um dos banheiros do prédio público são feitos de “porco, vaca, peixe e pássaro” e é comum encontrá-los no subsolo porque são” restos de comida”. “Em qualquer recheio há uma mistura de entulho e outros tipos de materiais, geralmente há osso. Um dos trabalhos dos antropólogos forenses é encontrar restos ósseos em qualquer trabalho, e 90% das oportunidades respondem a restos de animais”, explicou. O antropólogo destacou que, além dos ossos, que tinham marcas de “serra”, indicando que eram vestígios de consumo alimentar, foram encontrados elementos culturais: cerâmica, vidro, náilon e uma moeda, achados também comuns sob edifícios na Cidade Velha, bairro do centro histórico de Montevidéu. A escavação ordenada pelo Inddhh em um prédio dos Correios uruguaios - anteriormente usado como garagem da Presidência - começou em 10 de março após o recente testemunho de um encanador (encanador) que havia trabalhado há mais de uma década lá e cobriu seus ossos por medo de denunciá-lo. O interesse do caso era que, embora o local não estivesse incluído no registro que o Inddhh possui de centros de detenção clandestinos, foi trabalhado com a hipótese de que os restos mortais poderiam ser de alguém desaparecido. O Uruguai tem 197 pessoas desaparecidas registradas durante a ditadura civil-militar, que são lembradas todo dia 20 de maio durante a chamada Marcha do Silêncio.