A jovem modelo que quebra tabus de gênero na Arábia Saudita

Ziad al Mesfer chama a atenção no reino conservador, onde ser homossexual pode ser punível com pena de morte. Sua aliança com grandes marcas lhe oferece alguma proteção contra críticas inquisitivas

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Saudi model Ziad al-Mesfer is pictured in Tahliya street in the capital Riyadh, on April 9, 2022. - Mesfer has built a massive social media following while blazing a trail for the handful of Saudi male models brave enough to don garments widely seen as appropriate for women only, thereby flouting their country's famously rigid gender norms. (Photo by Fayez Nureldine / AFP)

Com suas extensões de cabelo rosa e calças de leopardo, o jovem modelo Ziad al Mesfer inevitavelmente atrai todos os olhos em uma rua em Riade, capital de uma Arábia Saudita em rápida mudança, mas sempre muito conservadora.

Alguns pedestres imediatamente pegam seus celulares para tirar uma foto desse jovem de 25 anos, acompanhado por seu designer e fotógrafo, que acabou de descer de um Mercedes Benz branco em um bairro distinto da cidade. Um homem o acusa de ser “homossexual”, crime que pode ser condenado à pena capital na Arábia Saudita.

Apesar das críticas, tanto na rua quanto na internet, o manequim não planeja deixar a Arábia Saudita ou mudar sua aparência. “Prefiro ficar no meu país, vestindo essas roupas, do que esperar estar no exterior para me vestir com ousadia”, explica.

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Com 200.000 seguidores no Instagram e mais de dois milhões no Snapchat, Ziad al Mesfer já tem inúmeros fãs nas redes sociais, abrindo caminho para uma geração de modelos masculinos em trajes considerados femininos demais, em um país que até recentemente observava estrita segregação de gênero em locais públicos.

Desde o surgimento do jovem príncipe herdeiro Mohamed bin Salman, o líder de fato do reino desde 2017, a Arábia Saudita experimentou relativa abertura social, com as mulheres autorizadas a dirigir ou com o entretenimento que se multiplica em lugares mistos. Mas o conservadorismo social e as restrições políticas permanecem no país, que abriga os lugares mais sagrados do Islã.

“Todos eles olham para isso”

Embora tenha vários adolescentes entre seus seguidores, Ziad al Mesfer é criticado pelos conservadores. Este rico reino do Golfo proíbe os homens de “imitar” o outro sexo com suas roupas. O manequim não se identifica como homossexual, e ele deseja, diz, se casar com uma mulher. Em sua opinião, reflete apenas o entusiasmo das marcas internacionais pela moda andrógina.

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Nascido em Riade, em uma família que tinha seis filhos no total, Ziad al-Mesfer começou a desenvolver seu senso de design desde tenra idade. “Eu estava dizendo para minha mãe e minhas tias como se vestir. Eu adorava isso”, lembra. “Minha mãe me perguntou minha opinião sobre essas coisas, e é por isso que me interessei cada vez mais pela moda feminina”.

Com sua crescente influência na internet, o modelo atrai grandes marcas como Prada e Dior. Quando a Gucci abriu uma nova loja em Riade no mês passado, os responsáveis queriam que Ziad al Mesfer viesse, garante à AFP o gerente de vendas Lulua Mohamed.

“É muito importante convidá-lo porque ele vende imediatamente quando um vídeo é feito ou uma foto tirada”, explica. “Todas as mulheres sauditas, velhas ou jovens, olham para ele.”

Embora outros manequins e influenciadores tenham seguido seus passos, Ziad al Mesfer permanece “número um”, diz um vendedor da Prada, que como outras pessoas questionadas exige anonimato devido à sensibilidade do assunto na Arábia Saudita.

Embora gere divisão de opinião, Ziad al Mesfer, que ganha dinheiro em parte com publicidade on-line, se beneficia de uma espécie de proteção graças a suas alianças com grandes marcas de luxo e seu relacionamento com celebridades locais.

No Instagram, fotos de Ziad al Mesfer muitas vezes provocam comentários contundentes. “Que Deus nos perdoe” um internauta reagiu sob uma foto do manequim em que ele posa com um casaco vermelho sobre um suéter violeta de gola alta. “Eu apago o Instagram depois de ver isso”, acrescenta outro. Outros, por outro lado, o encorajam: “Ziad, continue assim (...) não ouça o que eles dizem”.

(Com informações da AFP/por Robbie Corey-Boulet)

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