O Templo de Santa Catalina de Siena, localizado na Cidade do México, foi vandalizado e parcialmente incendiado há algumas semanas, de acordo com notícias via Twitter. Aparentemente, um homem em situação de rua é responsável pelo vandalismo e incêndio que prejudicou o patrimônio cultural.
O incêndio causou danos às portas principais, caracterizadas por magníficas xilogravuras. A ala direita, no estilo herreriano, é a original e foi colocada no século XVII, enquanto a ala esquerda data de um século depois.
O edifício, inaugurado em 1623, tem grande valor histórico, pois é o primeiro templo e convento das freiras dominicanas na cidade. Figuras históricas importantes, como a Corregidora Josefa Ortiz de Domínguez, que foi trancada lá em junho de 1815, passaram por suas paredes.
A construção do local foi motivada por um evento considerado pelos católicos como um milagre. Esta é a descoberta de uma img da Virgen del Rosario com a borda do vestido manchada de lama, no local onde o templo foi construído mais tarde, durante uma grande tempestade que causou a inundação da capital em 1629.
As águas começaram a cair depois que a pintura foi encontrada, então o fato foi atribuído à Virgem e um ano depois a igreja e o convento de Santa Catalina foram erguidos. Vale ressaltar que a catástrofe que desencadeou a fundação do local religioso, ceifou a vida de 60 mil pessoas e destruiu muitos edifícios.
Os promotores do projeto foram três freiras conhecidas como Las Felipas: Ana, Isabel e María Phelipa. Decidiu-se dedicar o claustro a Santa Catalina, um dos grandes místicos do século XVI, que ficou famoso por seus “estigmas invisíveis”, e para sua inauguração foi organizado um grande evento, com a presença do vice-rei.
Catarina de Siena, a quem o templo é dedicado, foi uma santa católica protetora de bombeiros, enfermeiras e pessoas ridicularizadas por sua fé. Diz-se que uma menina prodigiosa e alegre que teve sua primeira visão de Cristo aos cinco anos morreu de um derrame aos 33 anos e foi canonizada em 1461.
Mais tarde, o claustro ficou famoso por ser o cenário da lenda do Senhor do Rebozo. A história é sobre uma freira que em seu leito de morte, durante uma noite de chuva forte, foi visitada pelo Cristo de madeira que estava na igreja e coberto de água envolvendo-o com seu xale. Diz-se que no dia seguinte encontraram a freira morta e a figura de Jesus Cristo no altar, cobertas com a roupa que a mulher o envolveu.
Além disso, o edifício foi usado para outros fins que não religiosos em vários estágios da história mexicana. Assim, embora não tenha sido inicialmente destituída durante o mandato de Benito Juárez, as freiras foram exclaustradas e em 1863 funcionou como banco de sangue enquanto ocorria a Segunda Intervenção Francesa.
Foi até 1867 que, com a queda do Segundo Império Mexicano e a aplicação definitiva das leis da Reforma, as freiras dominicanas foram definitivamente expulsas. A presença da ordem dominicana no México remonta a 1575, quando seu primeiro convento foi construído em Oaxaca, sob as ordens do Papa Pio V.
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