A comunidade internacional descreveu como crime de guerra o assassinato de cerca de 300 civis em Bucha.

Diferentes líderes ficaram chocados com as imagens de cadáveres nas ruas da cidade, localizadas nos arredores de Kiev.

A soldier takes a photograph of his comrade as he poses beside a destroyed Russian tank and armoured vehicles, amid Russia's invasion on Ukraine in Bucha, in Kyiv region, Ukraine April 2, 2022. REUTERS/Zohra Bensemra TPX IMAGES OF THE DAY

Quase 300 pessoas foram enterradas em uma vala comum em Bucha, cidade nos arredores da capital ucraniana, Kiev, confirmou seu prefeito neste sábado depois que o exército ucraniano recuperou o controle da cidade-chave da Rússia.

Em Bucha, já enterramos 280 pessoas em valas comuns”, disse Anatoly Fedoruk. Segundo ele, as ruas da cidade, fortemente destruídas, estão cheias de cadáveres.

Havia corpos com as mãos amarradas nas costas, informou a agência de notícias AFP. Os corpos foram espalhados por várias centenas de metros, sem causa conhecida de morte até o momento.

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As tropas russas recentemente se retiraram de vários locais perto de Kiev, tendo falhado em sua tentativa de cercar a capital. As autoridades ucranianas proclamaram que Bucha havia sido “libertada”.

Após a notícia que saiu neste sábado, a comunidade internacional ficou chocada e muitos líderes descreveram o que aconteceu em Bucha como um crime de guerra.

O chefe da União Europeia, Charles Michel, prometeu este domingo mais sanções contra Moscovo por condenando as “atrocidades” levadas a cabo pelas forças russas fora da capital ucraniana, Kiev.

Chocado com as imagens perturbadoras das atrocidades cometidas pelo exército russo na região libertada de Kiev #BuchaMassacre”, escreveu o chefe do Conselho Europeu, Michel, no Twitter.

A UE está ajudando a Ucrânia e as ONGs a reunir as provas necessárias para sua acusação em tribunais internacionais”, disse.

Enquanto isso, o vice-chanceler e ministro da Economia alemão Robert Habeck denunciou um “terrível crime de guerra” perpetrado em Bucha, perto da capital ucraniana, e pediu que os países da União Europeia (UE) adotem novas sanções contra a Rússia.

Este terrível crime de guerra não pode ficar sem resposta”, disse o ministro do Ambiente no diário alemão Bild, um dia após a descoberta de numerosos corpos em Bucha, noroeste de Kiev, depois de as forças russas terem sido retomadas.

Acho que é apropriado fortalecer as sanções. É isso que estamos preparando com os nossos parceiros da UE”, acrescentou.

Minutos depois, a ministra das Relações Exteriores, Annalena Baerbock, chamou as imagens de Bucha de “insuportáveis”. “A violência excessiva de Putin destrói famílias inocentes e não conhece limites”, tuitou o chefe da diplomacia alemã, assegurando que “os responsáveis por esses crimes de guerra” serão “responsabilizados”.

Vamos fortalecer as sanções contra a Rússia e apoiar mais a Ucrânia em sua defesa”, disse, sem dar mais detalhes.

El vicecanciller y ministro alemán de Economía, Robert Habeck, denunció un “terrible crimen de guerra” perpetrado en Bucha (REUTERS/Zohra Bensemra)

Por seu lado, a ministra britânica dos Negócios Estrangeiros, Liz Truss, denunciou os “actos terríveis” cometidos pelo exército russo contra civis na Ucrânia e apelou a uma “investigação de crimes de guerra”.

As tropas russas estão se retirando da área e “vemos evidências crescentes dos atos terríveis cometidos pelas forças invasoras em cidades como Irpin e Bucha”, disse Truss em um comunicado.

Esses “ataques indiscriminados a civis inocentes” devem ser objeto de uma “investigação de crimes de guerra”, acrescentou.

O embaixador israelense na Ucrânia, Michael Brodsky, também condenou domingo o assassinato de civis pelas forças russas em Bucha e o chamou de “crime de guerra”.

Estou profundamente afetado pelas fotografias de Bucha. O assassinato de civis é um crime de guerra e não pode ser justificado”, postou Brodsky no Twitter.

El ministro de Exteriores de Italia, Luigi di Maio, aseguró que las “atrocidades” cometidas por Rusia “no pueden quedar impunes” (Crédito: Cancillería de Ucrania)

Outro que levantou a voz foi o governo da Itália. Seu ministro das Relações Exteriores, Luigi di Maio, garantiu que as “atrocidades” cometidas pela Rússia “não podem ficar impunes”.

A existência de crimes de guerra deve ser investigada o mais rápido possível. Essas atrocidades não podem ficar impunes”, disse Di Maio, que ficou impressionado com as “imagens arrepiantes de Bucha” em suas redes sociais.

Corpo de civis ucranianos no chão, mortos, com as mãos atadas. Crueldade, morte, horror”, acrescentou o chefe da diplomacia italiana, que garantiu que seu país está “ao lado do povo ucraniano” e que “a guerra russa deve ser interrompida”.

Antony Blinken (Olivier Douliery/Pool via REUTERS)

Depois dos europeus, o secretário de Estado norte-americano Antony Blinken demonstrou, que disse que a visão de vários corpos civis espalhados pelas ruas de Bucha, na Ucrânia, é “um golpe no estômago”.

Você não pode deixar de ver essas imagens como um soco no estômago”, disse Blinken à CNN um dia depois de imagens horríveis da cidade recuperada das forças russas terem sido amplamente divulgadas.

Esta é a realidade do que está acontecendo todos os dias enquanto a brutalidade da Rússia contra a Ucrânia continua”, acrescentou.

O Tribunal Penal Internacional abriu recentemente uma investigação sobre possíveis crimes de guerra cometidos na Ucrânia, e alguns líderes ocidentais, incluindo o presidente dos EUA, Joe Biden, chamaram Vladimir Putin de “criminoso de guerra”.

O presidente ucraniano, Volodymir Zelensky, também acusou os soldados russos de plantarem minas e outras armadilhas quando se retiraram do norte da Ucrânia.

“Eles estão deixando para trás um desastre completo e muitos perigos (...) Primeiro, os ataques aéreos podem continuar. Em segundo lugar, eles estão minerando todo o território, casas de mineração, equipamentos, até os corpos das pessoas que mataram”, disse Zelensky no sábado em uma mensagem de vídeo.

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