O Grupo Wagner também foi sancionado: quem são os mercenários a serviço de Putin que procuram Zelensky para matá-lo?

Empresas de segurança privada ligadas a Moscou estão presentes em pelo menos 30 países em quatro continentes. Hoje, o Reino Unido decidiu ir contra seus ativos. Qual é o papel deles na Síria, Líbia e Venezuela. Hoje, pelo menos 4 mil são distribuídos por toda a Ucrânia

25/09/2020 Supuestos mercenarios rusos custodiando el ayuntamiento de Sloviansk, en Ucrania, en abril de 2014 POLITICA EUROPA UCRANIA INTERNACIONAL MICHAL BURZA / ZUMA PRESS / CONTACTOPHOTO

O Reino Unido anunciou na quinta-feira uma nova série de sanções contra 59 indivíduos e empresas russas e seis bielorrussas, devido à sangrenta invasão da Ucrânia ordenada por Vladimir Putin há exatamente um mês. Entre as empresas estão a gigante russa de diamantes Alrosa e o grupo privado de serviços militares Wagner, os mercenários a serviço do Kremlin que operam na Síria, África e agora na Ucrânia.

Quatro dias após o ataque ao soberano e ao país vizinho, havia um plano sinistro de Moscou: encontrar Volodymyr Zelensky para assassiná-lo. O prestigiado jornal The Times foi então quem publicou a notícia arrepiante: o temível Wagner Group é em Kiev e tem como objetivo caçar o presidente ucraniano. Seriam 400 mercenários que receberam a missão de assassinar o líder nacional para derrubar seu governo e colocar um que é controlado por Moscou. Hoje, esse grupo privado foi sancionado por Londres.

Desde o início da invasão, o governo de Zelensky iniciou uma busca por “sabotadores russos” nas ruas da capital. Eles fariam parte do comando do oligarca russo Yevgeny Prigozhin, que lidera os mercenários ferozes e treinados. Os agentes aguardam a ordem do Kremlin para atacar, e sua lista de 23 alvos também inclui todo o gabinete, o prefeito de Kiev, Vitali Klitschko, e seu irmão Wladimir, ambos ex-campeões de boxe que se tornaram figuras icônicas na frente da capital ucraniana linha de defesa.

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Empresas militares privadas, como o Grupo Wagner, tornaram-se nos últimos anos uma ferramenta vital com a qual a Rússia expande sua influência no mundo enquanto defende seus interesses. Atualmente, mercenários russos estão presentes em pelo menos 30 países em quatro continentes, o que demonstra a expansão desse fenômeno que ocorreu no conflito na Ucrânia em 2014 seu primeiro julgamento.

Embora as empresas mercenárias sejam tecnicamente ilegais sob a Constituição russa, o fato é que elas se tornaram um componente-chave dab estratégia de “guerra híbrida” de Moscou e oferecem ao chefe de Estado russo Vladimir Putin um meio pelo qual” implementar seus objetivos políticos e promover os interesses de segurança nacional da Rússia em todo o mundo”, de acordo com um relatório do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS).

Em geral, segundo os autores de 'As Guerras Mercenárias de Moscou', essas empresas de segurança estão nas mãos de oligarcas próximos ao Kremlin, como Prigozhin, que é muito próximo de Putin e que está sujeito a sanções dos Estados Unidos.

Os mercenários do Grupo Wagner na área de Starobeshevo no Donetsk ucraniano

Uma de suas principais tarefas é fortalecer a política externa russa e expandir sua influência em todo o mundo, pois, graças aos mercenários, Moscou é capaz de apoiar certos países ou parceiros.

Do ponto de vista militar, dadas as capacidades desses mercenários (geralmente ex-membros das forças de segurança), os aliados podem ser fortalecidos, enquanto a presença militar é estabelecida em ambientes onde não havia e até perturba o equilíbrio de poder em certos conflitosenquanto mantém um grau de negação plausível por parte do Kremlin”, enfatizam os autores.

Além disso, os mercenários são mais dispensáveis e seu uso é menos arriscado do que o envio de soldados russos, especialmente se eles morrem em combate ou durante missões de treinamento. O pessoal da empresa de segurança também se tornou uma fonte de coleta de informações de inteligência, além de poder realizar ações secretas e atividades clandestinas, de acordo com o CSIS.

Treinamento apoiado pelo exército russo

Os contratados de segurança recebem treinamento antes de serem enviados para o exterior, em alguns casos até dentro de bases militares e com o provável apoio do Exército e dos serviços de Inteligência. Por exemplo, de acordo com o relatório, o Grupo Wagner treina seus homens em dois campos próximos a uma base dos Serviços de Inteligência (GRU) em Molkino, na região de Krasnodar.

Por outro lado, empresas mercenárias e empresas relacionadas nas áreas de energia, minas, segurança e logística também oferecem ao regime russo uma maneira de “expandir sua influência comercial e econômica nos países em desenvolvimento e construir novos fluxos de receita, especialmente petróleo, gás e extração mineral, para reduzir o impacto. de sanções”, destaca o relatório.

Quanto às tarefas que realizam, sua principal tarefa é treinar e equipar as forças de segurança do país anfitrião ou de alguma milícia local, incluindo treinamento em tarefas especializadas de combate, como o uso de franco-atiradores ou defesa aérea. Além disso, trabalham para proteger as autoridades locais, tornando-se até guarda-costas dos presidentes, como é o caso da República Centro-Africana. Hoje seu objetivo é mais claro: assassinar Zelensky.

Em algumas ocasiões, de acordo com o relatório, mercenários ligados ao GRU recrutam bens humanos, além de realizar trabalhos de vigilância e reconhecimento e realizar guerra política, sabotagem e outras missões secretas.

Mercenários também são implantados para proteger as principais infraestruturas de energia ou minas para os países anfitriões e empresas russas, uma situação que se repete na Venezuela. Além disso, eles e as organizações de mídia vinculadas a suas empresas ajudam a espalhar mensagens a favor da Rússia. Nesse caso, a “fazenda de trolls” de propriedade de Prigozhin, também sancionada pelos Estados Unidos, é particularmente famosa.

Da Ucrânia à Venezuela

A Ucrânia foi o primeiro país em que mercenários russos apareceram. Atualmente, devido à invasão, estima-se que possa haver até 4.000 agentes do Grupo Wagner implantados em todo o território. Quatrocentos deles em Kiev. Antes de seu papel central no conflito na região de Donbass, ainda ativo, eles já estavam presentes na anexação russa da Crimeia em março de 2014. De acordo com o CSIS, no auge do conflito entre os separatistas e as forças ucranianas, havia entre 2.500 e 5.000 mercenários russos.

Seu papel era “desestabilizar e depois consolidar o controle sobre a Crimeia e Donbass, dificultando e pressionando Kiev e seus aliados ocidentais a fazer concessões diplomáticas”, todos os quaisnegam qualquer envolvimento oficial russo”, enfatizam os autores especialistas do relatório. Apesar disso, o concurso se transformou em um “conflito congelado” do qual a Rússia, no entanto, conseguiu tirar algumas lições para aplicar em outros cenários.

A Síria tem sido uma delas. Aqui, os mercenários russos têm sido fundamentais para apoiar o regime de Bashar al-Assad e conter os esforços dos Estados Unidos e seus aliados. Além disso, eles foram cruciais na apreensão de campos de petróleo, refinarias, usinas de gás e outras infraestruturas que estavam nas mãos dos rebeldes.

De acordo com o CSIS, houve cerca de 1.000 a 3.000 mercenários russos neste país de diferentes empresas, incluindo o Grupo Wagner, que desempenharam um papel cada vez mais direto nas operações de combate do regime sírio e muitas vezes sincronizados com as prioridades econômicas de Moscou. Este país também serviu como campo de testes para um modelo de implantação híbrida que inclui forças estaduais e mercenários.

No caso da Líbia, o apoio dos mercenários não foi para o Governo reconhecido pela comunidade internacional, mas para o general Khalifa Haftar, cujas forças ele treinou e apoiou em sua ofensiva para tomar Trípoli. O papel dos 800-1.200 mercenários, principalmente do Grupo Wagner, também incluiu a defesa dos interesses russos no país.

“A Rússia viu um vácuo de poder e uma oportunidade de explorar a instabilidade para expandir a influência russa, usando mercenários para fortalecer Haftar, virar o conflito a seu favor e receber a recompensa”, enfatizam os autores do relatório. Além disso, os mercenários russos fortaleceram “a posição geoestratégica e a influência diplomática” na Líbia, o que dá à Rússia um papel em qualquer solução para o conflito.

Mercenários russos também estão presentes na África Subsaariana. Na RCA, eles treinam forças de segurança, além de proteger seu presidente, Faustin-Archange Touadéra, e as operações de mineração. Moçambique, no entanto, foi um fracasso. Os mercenários do Grupo Wagner que vieram apoiar o governo na sua luta contra os jihadistas em Cabo Delgado “tinham pouca experiência na condução de operações florestais e tinham dificuldade em coordenar com as forças locais”, segundo o CSIS. Chegando em setembro de 2019, eles foram substituídos em abril passado por mercenários da empresa sul-africana Dyck Advisory Group.

Militares e mercenários chegando ao Aeroporto Internacional de Caracas em aviões russos Il-62 e An-124, em 2019

Além disso, mercenários russos também cruzaram o Atlântico. Desde 2017, eles estão presentes na Venezuela, que tem um de seus maiores aliados em Moscou, para salvaguardar os interesses da Rússia e de suas empresas, incluindo a Rosneft. Além disso, desde janeiro de 2019, cerca de cem deles foram destacados para proteger Nicolás Maduro, depois que Juan Guaidó se proclamou presidente no comando.

(Com informações da Europa Press)

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