Germaine Franco, a mulher por trás do sucesso musical do filme “Encanto”

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William Azabal Los Angeles (EUA), 23 Mar Californiana com raízes mexicanas Germaine Franco quebrou qualquer teto de vidro com seu talento. Ela foi a primeira compositora latina a ingressar na Hollywood Academy, pioneira na trilha sonora de um filme da Disney e agora está optando por um Oscar pelo sucesso musical desse filme, “Encanto”. Franco compôs a trilha sonora deste filme de animação ambientado na Colômbia, para o qual ela agora é uma candidata firme para a estatueta e, em entrevista à Efe, ficou muito animada com a indicação. “Eu me inspirei na literatura, não podia viajar por causa da pandemia e passava até catorze horas por dia estudando música folclórica colombiana, como mapalé ou bullerengue”, explicou Franco sobre um processo criativo que até o levou a comprar instrumentos colombianos nativos, como a harpa llanera ou a chonta marimba. Para a compositora, a troca de ideias com músicos locais foi essencial e ela aludiu a um encontro com o artista Carlos Vives como ponto de viragem na conceituação da trilha sonora de “Encanto”. “Fui a um concerto do Carlos Vives em Hollywood e senti pelo que estava ouvindo que isso era muito parecido com o que eu queria fazer”, lembrou o compositor. Outro artista que ele fala com admiração é Lin-Manuel Miranda, com quem trabalhou junto no filme “Encanto”. Miranda também foi indicada, para melhor canção original, por “Dos oruguitas”, música que é interpretada pelo diretor colombiano Sebastián Yatra, em espanhol para todas as versões do filme. “Ele é um gênio da música, ele já tinha escrito todas as músicas quando eu comecei (2021) e eu criei levando em conta como ele tinha tocado com letras e história”, explicou o compositor californiano. REALISMO MÁGICO E O CONCEITO DE AMOR FAMILIAR Franco é apaixonado pela exploração musical, pelo estudo de “harmonias, ritmos, texturas e melodias” para garantir que a música dos filmes responda ao conceito que emerge da trama. Nesse caso, segundo Franco, queríamos transmitir o “amor da família” e a “aceitação de nossos entes queridos”, mesmo que sejam diferentes, para “celebrar” a vida. Tudo envolto em uma aura de realismo mágico típico de expoentes como Gabriel García Márquez, que também inspirou esta compositora que se define apaixonada pela Colômbia “vibrante”. “Eles têm música em todos os lugares, com raízes espanholas, indígenas ou afro-colombianas. Tem sido muito interessante para mim pesquisar e compor nesses estilos”, disse. O sucesso popular da música de “Encanto” surpreendeu até Franco, que não achava que espectadores de todo o mundo poderiam receber esse “projeto feito com o coração”. “Não esperávamos que as pessoas vissem o filme tantas vezes e cantassem ou dançassem dessa forma as músicas que o compõem”, reconheceu ela com gratidão. “Encanto” será julgado pelo Oscar de Melhor Trilha Sonora com “Dune” (cuja música foi composta por Hans Zimmer), “Don't Look Up” (Nicholas Britell), “The Power of the Dog” (Jonny Greenwood) e “Parallel Mothers” (Alberto Iglesias). Franco garantiu que conseguiu ver todos os filmes concorrentes e que o cenário musical de cada um deles tem por trás “muito talento afinado”. No entanto, dedicou palavras particularmente afetuosas ao compositor espanhol Alberto Iglesias, indicado pela quarta vez nesta categoria após “The Constant Gardener” (2005), “The Kite Runner” (2007) e “Tinker Tailor Soldier Spy” (2011). “Ele é um artista incrível, com excelentes trilhas sonoras. Meu favorito sempre foi o de 'Fale com ela' (2002)”, disse Franco. Agora, o compositor californiano, que já ganhou o Prêmio Annie pela música de “Coco” - filme de animação de 2017 da Pixar - está ansioso para coroar “um caminho incrível” com o Oscar na gala que será realizada neste domingo no Dolby Theatre, em Los Angeles. CHEFE gac/agf (foto) (vídeo)